segunda-feira, 7 de maio de 2012

Lançamento de "Desaforismos" contou com centenas de convidados

foto: Christina Amorim


"Desaforismos" de Flávio Viegas Amoreira

Centenas de pessoas prestigiaram o lançamento de "Desaforismos" (sábado) na Pinacoteca Benedicto Calixto (Santos /SP) embalados com o piano de Tarso Ramos.  Com o esgotamento dos exemplares uma nova noite de autógrafos está sendo preparada para Santos e depois lançamento em São Paulo, prova cabal da valorização da literatura contemporânea caiçara e seu consequente aumento de  leitores.


 "Desaforismos" traz ao público pensamentos elevados em uma época de superficialidade cultural. Permeado de eruditismo e contundências o livro de Flávio Viegas Amoreira é o retrato fiel do artista que faz da literatura sua resistência frente à idiotização de conteúdos e à superficialidade de nossa sociedade política. Um testemunho visceral da época em que vivemos, onde a velocidade e a quantidade engolem a afetividade da relações, onde o descartável torna-se valor existêncial.

(da esquerda para direita): Antonio Eduardo, Fernando Pierry, Edson Amancio, Virgilio Aguiar, Flávio Viegas Amoreira, Fernanda Chiari Pires, Gilberto Mendes - foto: Renata Coelho Barreiros


         Márcio Barreto  -   foto: Christina Amorim        Tarso Ramos - foto: Christina Amorim

A Edições Caiçaras lança Perdas & Danos de Madô Martins



A Edições Caiçaras lança Perdas & Danos de Madô Martins.





"Quando terminei, estava extenuada, como ficam as mulheres após dar à luz. Mas em paz. A dor que nasceu em mim nascera de mim, saíra de mim. Ao me habitar, deu-me poucas opções. Descartei morrer, descartei enlouquecer. Escolhi escrever, deixar de lado os pudores, reviver um a um os sentimentos e transformar feridas em palavras. Assim nasceu este livro, que nada mais é que um desabafo".


Belíssimo livro de poemas onde o lirismo da perda, do amor que acaba mas não finda, faz com que o avesso emudeça o silêncio para não perder a razão, o chão que tão incertamente pisamos quando o mundo parece estar de luto. Poema a poema Madô revira as delicadas nuances do sentimento que envolve a perda repentina do amado, a perda definitiva e atroz, sem chances ou esperança, nesse momento nos revela a sutileza de travesseiros repartidos pelas lembranças das dúvidas, sonhos e fragmentos da vida amorosa.

"Soube da tua morte / por amigos. / Eu, que há muito / te sepultara,
sete palmos abaixo da memória."

Estranhamente a morte renasce o sentimento e o amor aflora como quem "descostura pregas e bainhas" para depois recosturá-las palavra por palavra.

Perdas & Danos é um mergulho em noites onde "vestimos a dor pelo avesso", onde o feminino se mostra em suas mais contundentes contradições:

"No coração de tuas mulheres, / tantas, / pulsam amor e ódio

E ainda assim ser capaz do perdão, essa característica tão feminina e infinitamente superior.

"mas o tempo coará todo rancor
e só o que foi bom ficará."

Um livro para viver e reviver grandes amores. Um livro dentro de outros livros onde o leitor é levado por uma interessante correlação das palavras nos poemas que funcionam como links de sensações.






"Perdas & Danos" recebeu Menção Honrosa em 5 poemas do livro no Concurso Nacional de Poesia do Clube de Escritores de Ipatinga - Clesi, de Minas Gerais.

Márcio Barreto



Nota da Autora

As cinco fases do luto – negação, raiva, barganha, depressão e aceitação – estão representadas nestes poemas de pranto contido. Luto que imita o fado, em seus diálogos na segunda pessoa, e o tango, em sua dor inconformada, mascarada de fatalismo.
Os poemas mesclam as fases, espelhando a confusão própria de quem sofreu grande perda. Ao interrelacionar as páginas, a obra oferece ao leitor vários livros dentro do livro, que podem ser reconstruídos ao gosto pessoal.



Sobre a Autora

Madô Martins escreve poesia moderna, haicai, conto, crônica e, em 2011, lançou Avesso, seu primeiro romance.
Tem dez livros publicados e mais de 70 premiações literárias em concursos nacionais e internacionais (Portugal e EUA). Desde 2000, é cronista do jornal A Tribuna, de Santos/SP, aos domingos, no caderno Galeria. Também assina a coluna Letras Cotidianas no site www.midiativasantos.com e participa do site Cinezen, Facebook e Twitter. Realiza palestras e oficinas literárias.

Obras publicadas:
1999 - Doce Destino (Massao Ohno Editor), poesias
2000 - Paixão e Morte (produção independente), contos
2001 - Pensando em Verso (EditorAção), infantil
2004 - O Jacaré da Lagoa (produção independente), primeiro volume de uma série jornalística para crianças
2004 - Alfabeto do Vento (produção independente), haicais
2006 - Uma vez em 2284 e outras histórias planetárias (Editora Quártica), contos futuristas
2008 - Três meses no Japão (Editora Comunnicar), crônicas de viagem
2009 - Voo de Borboleta (Editora Leopoldianum, da Universidade Católica de Santos - Unisantos), crônicas
2011 – Avesso (Clube de Autores), romance
2011 – Diário Ínfimo (Sereia Ca(n)tadora), poesias

Contato com a autora pelo e-mail:
mado.escritora@gmail.com

Lançamento:


Perdas & Danos
Madô Martins
62 páginas
Edições Caiçaras

16/06 - 17 as 20 hs
Pinacoteca Benedicto Calixto
Av. Bartolomeu de Gusmão, 15 - Santos /SP

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Mundocorpo (poesia) - Márcio Barreto

Com lançamento previsto para 31 de maio na Casa das Rosas - Quinta Poética (São Paulo /SP) "Mundocorpo" é o quinto livro de Márcio Barreto.

Segundo o autor o livro é a tentativa de compreender a corporeidade do mundo através da dança dos corpos celestes e átomos que nos compõem, a afirmação poética que dentro de nós o universo se expande criando outros universos: a mente, o corpo e o mundo unidos por partículas que se apresentam ora como matéria, ora como onda, letra, número.

"Universos abraçam-me a pele da palavra
tenra
como gesto tênue sobre o dorso do esquecimento"

Uma poesia que procura um outro modo de olhar o mundo, reinterpretá-lo através de suas combinações numéricas e semiologias químicas, a poesia que avança para dentro de si e descobre o universo.

"enquanto signo
reinventado o mundo
sigo"


Mundocorpo (poesia) - Márcio Barreto
Lançamento: 31/05 as 19 hs
Quinta Poética - Casa das Rosas
Av. Paulista, 37 - São Paulo /SP


Sobre a Quinta Poética

Mensalmente, a Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura abre suas portas para a Quinta Poética, um grande encontro dos amantes da boa poesia, com a presença de poetas consagrados e novos talentos, que têm a oportunidade de apresentar seu trabalho por meio de intervenções artísticas das mais diferentes expressões, como dança, música, artes plásticas, cultura popular, que envolvem a leitura dos poemas.

Grandes nomes da poesia já estiveram presentes nesses encontros, que conta com entrada gratuita, abertos ao grande público, e organizados sem fins lucrativos nem investimentos financeiros. Mais de quatrocentos produtores culturais e artistas de todas as linguagens e estéticas de todas as regiões do Brasil e do exterior estiveram presentes no projeto Quinta Poética, promovido pela Escrituras Editora e a Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, com curadoria do poeta José Geraldo Neres.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Gilberto Mendes e a literatura santista



ASSUNTO: a literatura em Santos. Roldão Mendes Rosa, Narciso de Andrade, Cid Marcus, Flávio Viegas Amoreira, Ademir Demarchi, Márcio Barreto, Marcelo Ariel.

MAIS SOBRE GILBERTO MENDES EM www. youtube.com/bercoesplendido.
---
Olá, sou Carlos, filho do compositor Gilberto Mendes. Desde criança convivo com a sabedoria multidirecional de meu pai. Ela invade a música, o cinema, a literatura, a política... Fui privilegiado por este contato. Sei que ele tem uma enorme contribuição a dar não só aos jovens compositores, mas também aos amantes da música e, simplificando, da vida. Ele é, antes de mais nada, um amante da vida, das coisas simples. Ele sempre foi receptivo a quem quer que o procurasse, mas eu sempre pensei: e as pessoas que estão longe, sem acesso? Aí existe a internet, aí chegaram os 90 anos que ele completa em 2012, e eu resolvi dar um presente para mim, para ele, e acho, que para o Brasil. Através da minha produtora, a Berço Esplêndido, filmarei, editarei e farei o upload para o youtube, ao longo deste ano, de 90 trechos de conversas, 90 pequenos depoimentos de Gilberto Mendes, sobre o que ele quiser falar, sobre qualquer assunto. Eu sei o quanto nós vamos nos deliciar ao ouví-lo. Entre outras coisas, quem o conhece sabe como ele é um bom contador de histórias.
Quando ele as conta, não tem idade.
Cada pequeno filme terá o nome "90 anos, 90 vezes GILBERTO MENDES", precedido pelo número do filme.
Começamos a filmar no dia 7 de janeiro de 2012. Já neste dia filmei material para vários depoimentos. Difícil será parar nos 90. Mas isso é um assunto para mais tarde. Por enquanto, espero que a experiência para vocês seja interessante e rica como foi, é e sempre será para mim.
Vocês sempre o verão no âmago do seu castelo, na sua (e minha) amada SANTOS, guarnecido pela sua esposa, a sempre presente e carinhosa Eliane e pela minha mais nova irmã, a Mel.
Obrigado por terem lido.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Perdas & Danos - Madô Martins

A Edições Caiçaras lança Perdas & Danos de Madô Martins.

Belíssimo livro de poemas onde o lirismo da perda, do amor que acaba mas não finda, faz com que o avesso emudeça o silêncio para não perder a razão, o chão que tão incertamente pisamos quando o mundo parece estar de luto. Poema à poema Madô revira as delicadas nuances do sentimento que envolve a perda repentina do amado, a perda definitiva e atroz, sem chances ou esperança, nesse momento nos revela a sutileza de travesseiros repartidos pelas lembranças das dúvidas, sonhos e fragmentos da vida amorosa.

"Soube da tua morte / por amigos. / Eu, que há muito / te sepultara,
sete palmos abaixo da memória."

Estranhamente a morte renasce o sentimento e o amor aflora como quem "descostura pregas e bainhas" para depois recosturá-las palavra por palavra.

Perdas & Danos é um mergulho em noites onde "vestimos a dor pelo avesso", onde o feminino se mostra em suas mais contundentes contradições:

"No coração de tuas mulheres, / tantas, / pulsam amor e ódio

E ainda assim ser capaz do perdão, essa característica tão feminina e infinitamente superior.

"mas o tempo coará todo rancor
e só o que foi bom ficará."

Um livro para viver e reviver grandes amores. Um livro dentro de outros livros onde o leitor é levado por uma interessante correlação das palavras nos poemas que funcionam como links de sensações.

Márcio Barreto



Nota da Autora

As cinco fases do luto – negação, raiva, barganha, depressão e aceitação – estão representadas nestes poemas de pranto contido. Luto que imita o fado, em seus diálogos na segunda pessoa, e o tango, em sua dor inconformada, mascarada de fatalismo.
Os poemas mesclam as fases, espelhando a confusão própria de quem sofreu grande perda. Ao interrelacionar as páginas, a obra oferece ao leitor vários livros dentro do livro, que podem ser reconstruídos ao gosto pessoal.


Sobre a Autora

Madô Martins escreve poesia moderna, haicai, conto, crônica e, em 2011, lançou Avesso, seu primeiro romance.
Tem dez livros publicados e mais de 70 premiações literárias em concursos nacionais e internacionais (Portugal e EUA). Desde 2000, é cronista do jornal A Tribuna, de Santos/SP, aos domingos, no caderno Galeria. Também assina a coluna Letras Cotidianas no site www.midiativasantos.com e participa do site Cinezen, Facebook e Twitter. Realiza palestras e oficinas literárias.

Obras publicadas:
1999 - Doce Destino (Massao Ohno Editor), poesias
2000 - Paixão e Morte (produção independente), contos
2001 - Pensando em Verso (EditorAção), infantil
2004 - O Jacaré da Lagoa (produção independente), primeiro volume de uma série jornalística para crianças
2004 - Alfabeto do Vento (produção independente), haicais
2006 - Uma vez em 2284 e outras histórias planetárias (Editora Quártica), contos futuristas
2008 - Três meses no Japão (Editora Comunnicar), crônicas de viagem
2009 - Voo de Borboleta (Editora Leopoldianum, da Universidade Católica de Santos - Unisantos), crônicas
2011 – Avesso (Clube de Autores), romance
2011 – Diário Ínfimo (Sereia Ca(n)tadora), poesias

Contato com a autora pelo e-mail:
mado.escritora@gmail.com

quarta-feira, 21 de março de 2012

Desaforismos - Flávio Viegas Amoreira


Com lançamento na Pinacoteca Benedito Calixto, previsto para 05 de maio, pela Edições Caiçaras, Flávio Viegas Amoreira mostra sua face oscarwildeana e nos brinda com seus "desaforismos".

Pescados no mar bravio do facebook, seus aforismos nos levam à boa companhia das mentes ágeis e irrequietas que fazem da literatura uma ponte entre o desencanto e a salvação para quem sabe e sente em demasia, ou como diria Flávio: "Amo demais, percebo demais o mundo e as pessoas, sinto uma melancolia que adoço com vinho de sempre..."

Tamanho lirismo e profundidade carregam seus "desaforismos" que nos sementeiam em cheio a razão oceânica através de um olhar que devassa a condição humana. Capaz de levar-nos do riso à perplexidade, Flávio Viegas Amoreira nos surpreende com seus comentários refinados, sua erudição verborrágica e seu coração atlântico.

Neste livro, vemos o humano, o demasiado humano e o além do homem se transbordando em vastos pensamentos através da arte que o personifica tão bem - a literatura muitas vezes fragmentada, reinventada, deglutida, gritada e sussurrada pelos corredores da criação: "Criar é resistir".

Dono de uma personalidade amada por uns e odiada por outros, consequencia natural de uma obra repleta de peculiaridades, Flávio é capaz de nos enternecer, fazer pensar, sorrir e principalmente, questionar o stato quo vigente: "Somos mentiras sordidamente urdidas com esmero de artesão, nunca saímos de nada pensando transitar no que chamamos vida". Por outro lado, é capaz de aceitar e entender como ninguém a profundidade abissal do sentimento: "Perder um amor não é nada perto de perder a vontade de sonhar novos amores..."

Assim, pouco a pouco, vamos conhecendo Flávio Viegas Amoreira, suas nuances, opiniões sobre a vida, a arte, o cinema, os grandes pensadores, sua referências artísticas, sonhos, uma verdadeira máquina de emoções disparando ao gosto da vida.

Um livro que certamente marcará a memória do leitor: "Procuro salvar minha solidão na companhia daqueles que a enriqueçam, do fato de ser sozinho de modo mais consciente que os demais que pensam-se acompanhados."

"Vida é fazer ponte... Lançar pontes a outras almas..."

Sobre Flávio Viegas Amoreira

Escritor, crítico literário e jornalista; já lançou dez livros entre poesia, contos e romance; colabora com diversos jornais, revistas literárias e sites especializados em Arte. Faz parte da denominada “Geração Zero Zero”, autores de vanguarda surgidos no começo do século. Foi traduzido e adotado por universidades européias e norte-americanas. Fundador com Gilberto Mendes do “Fórum Santos Cultural”, de resgate das tradições de vanguarda e cultura do Litoral Paulista e do “sentimento atlântico do mundo”.


Desaforismos - Flávio Viegas Amoreira
Edições Caiçaras
Lançamento:
Pinacoteca Benedito Calixto
05 de maio - 17 as 20 hs

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Resenha de Cláudio Daniel sobre a Pequena Cartografia da Poesia Brasileira Contemporânea - Marcelo Ariel (org.) - Edições Caiçaras

" Pequena Cartografia da Poesia Brasileira Contemporânea (São Vicente: Edições Caiçaras, 2011) é uma antologia organizada por Marcelo Ariel que reúne sete autores jovens, que vêm publicando seus poemas em blogues, sites e revistas eletrônicas comoGermina, Pausa e Zunái. A internet é o veículo mais atualizado e pluralista para a divulgação da poesia, e nela encontramos as vozes criativas e inquietantes de nossa produção literária, que chegam aos leitores sem a mediação dos cadernos culturais da imprensa diária, cujos critérios de escolha são influenciados pelolobby das grandes editoras e pelas tendências hegemônicas na política literária. Não encontramos hoje veículos como o Jornal do Brasil dos anos 50, que contava com críticos como Mário Faustino, ou o Folhetim dos anos 80, que publicava resenhas de Paulo Leminski. Quem estiver em busca de informação estética nova ou de reflexão crítica atualizada perderá o seu tempo folheando as páginas da Folha de S. Paulo ou da revista VEJA, mas encontrará diferentes vozes, estilos, temas e mitologias criativas no ciberespaço.

Na apresentação da Pequena Cartografia, objeto artístico artesanal com o belo projeto gráfico elaborado por Márcio Barreto, o organizador da antologia diz: “A internet possui muito do artesanal e se harmoniza com práticas de edição como a desta Edições Caiçara, a internet é um esboço dos circuitos telepáticos do cérebro, trata-se da costura de fios visíveis e invisíveis. Nesta seleção que é uma pequena tentativa de realizar um recorte pessoal do que considero o mais representativo da poesia brasileira contemporânea, poemas de Marceli Andresa Becker, Katyuscia Carvalho, Lucila de Jesus, Ângela Castelo Branco, Maiara Gouveia e Daniel Faria formam este pequeno livro, pequena tessitura, que na verdade é a construção de um pensamento sobre a poética dos autores selecionados e sobre a minha própria poética, porque esta fronteira entre nós e os Outros foi a primeira a desaparecer quando alguém disse a palavra ‘Poeta’ pela primeira vez”.

O depoimento do autor, que reproduzimos aqui, merece destaque por desmistificar o suposto “distanciamento” ou “neutralidade” que alguns acreditam ser o princípio regulador de tais escolhas; nenhuma antologia é neutra, nenhuma é definitiva ou imparcial. Toda mostra é parcial, deriva de conceitos estéticos e critérios de gosto pessoal de quem a organizou. Longe de ser um pecado heurístico, peculiar às obras do gênero, a parcialidade é uma confissão de honestidade e de rigor intelectual, que não admite concessões: toda escolha de autores e textos criativos é uma operação crítica, é uma visão curatorial da produção literária de um período, e como tal deve tomar partido, sim, elencando os trabalhos de mais destacada elaboração estética, de acordo com os princípios teóricos, metodologia e grau de subjetividade do curador.

Todas as antologias são incompletas e sujeitas à discussão; por isso mesmo a existência de diferentes recortes críticos de um mesmo período histórico é enriquecedor, não apenas para a batalha de ideias, o confronto de diferentes teorias, mas também para a correção de eventuais exclusões, causadas, não raro, pelo desconhecimento. Não é possível avaliar todos os poetas de uma determinada geração sem um distanciamento temporal, para que o crítico possa consultar o conjunto da obra de cada autor, as revistas literárias publicadas na época, antologias, resenhas e outros textos que forneçam sinais luminosos sobre a produção do período. A empreitada de Marcelo Ariel é altamente arriscada exatamente por isso: ele se dispôs a fazer uma pequena cartografia do que se faz hoje pela mais nova safra de poetas brasileiros, quase todos sem fortuna crítica e inéditos em livro. Esta é uma intervenção cultural perigosa, e ao mesmo tempo excitante e necessária, que apresenta para nós um pequeno número de autores significativos, que trabalham a linguagem poética de modo consistente, rigoroso e inventivo.

Quase todos os poetas incluídos por Marcelo Ariel em sua breve antologia revelam um certo grau de hermetismo, derivado de leituras de Heberto Helder, Paul Celan, Lezama Lima e do Neobarroco: é o caso, por exemplo, de Daniel Faria (“Sangue / de espelho líquido. // Os intermináveis gestos / opacos / da cidade que se joga / sobre os meus braços”) e de Marceli Andresa Becker (“a fome que tenho se come / porque há saída nenhuma / na voz”). Pertencem a esta mesma linha criativa poetas como Andréia Carvalho, Diogo Cardoso, Adriana Zapparoli e Roberta Tostes Daniel, que mereciam estar incluídos neste volume.

O “artesanato furioso” (Marino) de nossa poesia mais recente tem revelado uma força semântica e imaginativa que contrasta com a lírica morna e insossa da linha coloquial-cotidiana, hegemônica nos cadernos culturais, que tem como ícone o livro Elefante, de Francisco Alvim, que recicla o poema-piada e o poema-crônica-de-jornal já exauridos em nosso Modernismo, quase um século atrás. Desafinando o coro dos contentes, a poesia jovem traz de volta as imagens fortes, ambíguas, monstruosas, os ritmos sensoriais, o léxico inusitado e a invenção sintática, levando a poesia para o seu terreno natural, o da encantação e do estranhamento. Quem tiver dúvidas de que a poesia é uma forma de magia, que leia com mais atenção os versos de Marceli Andresa Becker: “inviolado pelo espelho. / (mas se cantar / é cantar contra ouvido e pele, tempo de fibras, / mas se beleza é tu contra carne, / então cantar, cantar, pra te fazer / pedaços)”. Ou ainda, de novo, Daniel Faria: “só se for na beira da praia, lá dentro / a pura monotonia, os dentes da maresia, / que absolutamente não canta, saltam do verde e liso mar / e ferem seus olhos, lambem seus dentes, apodrecem sua boca”.

Em outros poetas incluídos na Pequena Cartografia, como a carioca Camila Vardarac, encontramos o poema em prosa de imagens rápidas, alucinadas, o discurso em jorro contínuo, que de imediato nos remetem à poesia beat e ao surrealismo; porém, há algo mais na escrita da autora, que sugere um diálogo com a estrutura comunicativa dos novos meios eletrônicos, como se palavras e frases fossem os cenários de um videoclip: “cotovelos sobre cacos de vidro retêm as palavras enquanto o / sangue foge, desenho as letras do seu nome dentro do coração / transformado em origami de caveira”. Imagens rápidas e fortes de um brutalismo que se aproxima ainda das artes visuais (lembremos aqui de Francis Bacon e do traço sombrio de quadrinhistas como Bill Sienkiewicz). Uma poeta que dialoga com o simbolismo, o surrealismo, a lírica portuguesa e os seus próprios gritos interiores é Katyuscia Carvalho, capaz de criar metáforas intensas e raras como estas: “Aprofundar interiores / Inconter silêncios / Apalpar um grito que / não terminou / amputado por alguma canção / que soou mais profunda” ou ainda “Um dia encontrarão / os fósseis rupestres / de uma saliva já extinta / virão tradutores / e ólogos e istas / capitalizarão: / (beijos cravados na rocha)”.

Ângela Castelo Branco, poeta e artista plástica, resistiu à tentação de simular paisagens na escrita, fazendo a sábia escolha de pintar o pensamento com todas as flores da fala. A sua poética é a da música do pensamento, mais irônica do que metafísica, mais fragmentária do que sistêmica, e nela recolhemos versos de alto impacto como estes: “Feito: costura de retalhos. Chão sujo de fiapos, retirar o que / não é composição. (...) / Qual o instrumento, qual o instrumento que acontece uma mulher?”

A construção minimalista, voltada ao retrato fragmentário de paisagens, objetos e sensações, mas evitando reverberações estilísticas derivadas de uma leitura ingênua da Language Poetry, está representada na poesia de Maiara Gouveia e Lucila de Jesus, poetas que elaboram artesanatos de alta densidade semântica. Em Lucila, há uma presença maior do humor, da ironia, do paradoxo e do non sense, como nestas linhas: “Os velhos e / as formigas / são invisíveis”; “O amor ansiado / é negro / branco / e amarelo”; “Tudo o que sei / sei sem saber. / Não aprendi, / só encontrei. / É que nasci / com os tendões / hiperextendidos”. Maiara, por sua vez, é mais elíptica, lacônica, não recusa os desafios da sintaxe e nos apresenta insólitas construções verbais, como esta: “escamas de peixe / medeias em fuga / cabelos vivos / no côncavo dos séculos // (a música) / de águas-medusa / guelras / ou ábaco líquido / (a mística do cálculo) / em ondas, em orlas / linhas tortas inúteis // onde o livro-transparência / arde / até os rins”.

A breve seleção de poemas organizada por Marcelo Ariel é sedutora, instigante e nos faz pensar sobre os augúrios das sibilas do apocalipse, para quem a poesia brasileira contemporânea está sempre “em crise” – estratégia de legitimação do cânone estabelecido pela negação insípida da poesia mais recente. A Escola do Ressentimento, que tanto mal faz à nossa crítica literária, é desmentida por obras inteligentes e corajosas como a de Marcelo Ariel, que nos brinda com uma feliz reunião de poetas e poemas." -

Claudio Daniel, poeta, tradutor e ensaísta, nasceu em São Paulo (SP), em 1962. Publicou os livros de poesia Sutra (edição do autor, 1992), Yumê (Ciência do Acidente, 1999), A sombra do leopardo (Azougue Editorial, 2001, prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira, oferecido pela revista CULT) e Figuras Metálicas (Perspectiva, coleção Signos, 2005). Em 2004, lançou o Romanceiro de Dona Virgo, volume de contos (Lamparina Editora). O autor publicou também a antologia Na Virada do Século, Poesia de Invenção no Brasil (Landy, 2002), organizada em parceria com Frederico Barbosa. Como tradutor, publicou a antologia Jardim de Camaleões, A Poesia Neobarroca na América Latina (Iluminuras, 2005), além de volumes com traduções de José Kozer, Eduardo Milán, León Felix Batista, Reynaldo Jiménez e Víctor Sosa. Em 2004, foi um dos curadores do evento Encontros de Interrogação, promovido pelo Instituto Itaú Cultural, e em 2006 organizou a Galáxia Barroca, Encontro de Poetas Latino-Americanos. No exterior, participou das antologias New Brazilian & American Poetry (revista Rattapallax n. 9, New York, 2003), organizada por Flávia Rocha e Edwin Torres, Pindorama, 30 Poetas de Brasil (revista Tsé Tsé n. 7/8, Buenos Aires, 2001), com seleção e tradução de Reynaldo Jiménez, e Cetrería, Once Poetas Brasileños (Casa de Letras, Havana, 2003), organizada e traduzida por Ricardo Alberto Pérez. Claudio Daniel reside em São Paulo, onde atua na área editorial e jornalística. É editor da revista eletrônica de poesia e debates Zunái, junto com Rodrigo de Souza Leão. Seu blog na Internet é http://cantarapeledelontra.zip.net

fonte: http://teatrofantasma.blogspot.com/2012/02/resenha-de-claudio-daniel-sobre-pequena.html